Notícia: Após terremoto, faltam alimentos, remédios e água no Nepal; Katmandu registra pequeno tremor

Após terremoto, faltam alimentos, remédios e água no Nepal; Katmandu registra pequeno tremor



Depois de 12 horas sem novas ocorrências, Katmandu enfrentou nesta segunda-feira, 27, à noite (horário local) mais um pequeno tremor, de pequena intensidade. Por cerca de cinco segundos foi possível sentir o chão mexer, mesmo sem que nada demais se movimentasse, nem mesmo os objetos em cima da mesa.

Foi o suficiente, no entanto, para que a energia elétrica também caísse, assim como a internet do hotel onde o Estado está hospedado. Apesar da pouca intensidade e do tempo curto, alguns hóspedes - que já haviam voltado a dormir em seus quartos - retornaram com edredons e travesseiros para o jardim do hotel.

Até então, o último tremor - chamado de aftershock por vir depois de um terremoto de forte intensidade - havia ocorrido próximo das 5h desta segunda-feira (21h de domingo no horário de Brasilia) e teve intensidade de 4,2 graus na escala Richter e atingiu uma região a leste da capital. Um outro temor aconteceu na Índia, algumas horas mais tarde, além da fronteira com o Nepal, e chegou a 5,2 graus.

O Nepal começou a tentar reorganizar a vida e o atendimento às milhares de vítimas nesta segunda-feira. Ainda assustados, os nepaleses se recusam a voltar para casa. Com a infraestrutura do país arrasada, começa a faltar água, alimentos e medicamentos, apesar da ajuda humanitária que continua a chegar.

Durante a tarde desta segunda (horário local), o governo nepalês confirmou que o número de mortos passou de 4 mil e deve crescer com a chegada das equipes de resgate às pequenas cidades e vilas do distrito de Gorkha, entre Katmandu e Pokara, no epicentro do terremoto. Até agora foram registrados mais de 7,5 mil pessoas feridas, segundo o último balanço divulgado pelas autoridades.

No campo base do Himalaia, trekking que representa uma das principais atrações turísticas do país, já foram confirmadas 20 mortes causadas por avalanches e 220 pessoas ainda estariam desaparecidas. Aviões e helicópteros de busca foram enviados para a região. Durante todo o domingo, helicópteros de resgate sobrevoavam a cidade.

Aos poucos, os nepaleses começam a se movimentar pela cidade. Ainda assim, a maior parte ainda não pensa em voltar para casa. O governo decretou feriado nacional e lojas e negócios devem permanecer fechados pelo menos até a terça-feira.

As principais praças da capital Katmandu estão ocupadas por acampamentos feitos de tendas improvisadas e barracas. Mesmo pequenos espaços, pátios internos de quadras de prédios de apartamento - uma construção comum no país - estão ocupadas. O governo não tem ainda um levantamento do número de pessoas desalojadas e desabrigadas, mas até essa madrugada mesmo nos melhores bairros da capital nepalesa era possível ver pessoas dormindo sobre tapetes ou colchões debaixo de marquises.

O boato de que um terceiro terremoto, ainda mais forte, poderia acontecer alimentou o medo. Asha-Lal, um senhor de 63 anos, está desde sábado na praça de Patan Durbar, ao lado de alguns dos principais momentos históricos do Nepal, cuja restauração havia sido concluída há pouco mais de ano, mas foi destruída pelo terremoto. Sozinho, Asha mora em um prédio na frente da praça, mas não teve coragem de voltar para casa ainda. "Ainda não sabemos o que vai acontecer. Moro no quarto andar, tenho medo de não conseguir sair se vier outro (tremor) grande", disse ao Estado.

O governo nepalês se prepara para um colapso do sistema de saúde e pede doações, que têm chegado de várias partes do mundo. Medicamentos, água, alimentos e bolsas para colocar os corpos dos milhares de vítimas são as prioridades no momento.

Fonte: MSN
Foto: A/D
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