Notícia: Relatório da Prefeitura sobre ciclovia no Rio cita 'zona de respingo de maré'

Relatório da Prefeitura sobre ciclovia no Rio cita 'zona de respingo de maré'



"Em geral, a ciclovia [da Niemeyer] não contempla riscos consideráveis". A frase consta em três ofícios da Secretaria Municipal de Obras (SMO) da Prefeitura do Rio, obtidos pelo G1, sobre o progresso das obras da Ciclovia Tim Maia, em São Conrado, Zona Sul do Rio. Em nenhum deles constam menções a ondas ou ressaca. A principal preocupação descrita no documento cita a maré e é referente ao mês de abril do ano passado.

"A encosta em determinados pontos é íngreme e considerada zona de respingo de maré o que aumenta o grau de dificuldade de execução das obras", diz o texto. Na manhã de quinta-feira (21), um trecho de cerca de 35 metros da via foi atingido por uma forte onda e desabou causando a morte de pelo menos duas pessoas.

Engenheiro da Coppe-UFRJ, Moacyr Duarte, estudou o projeto básico completo da construção e afirmou ao RJTV que a Prefeitura não previu a possibilidade de ressacas. Ele chamou o projeto de "simplório e insuficiente".

Ao G1, a assessoria de imprensa da Contemat não respondeu o questionamento se as ondas podem ter sido subestimadas. A nota do consórcio diz que a empresa dá apoio administrativo às obras, que o serviço não possui caráter de fiscalização e "não afere qualidade nem aprova medições das empresas responsáveis" pelas obras.

"As demais questões relacionadas às obras da Ciclovia Tim Maia serão esclarecidas ao final das investigações em curso", diz o texto.

O documento, feito por uma equipe técnica da Concremat - um dos braços da Contemat -, foi revisado pela Secretaria antes de ser endereçado ao Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), que cedeu empréstimo para a conclusão das obras.

Em outro trecho do relatório, que também se repete nos meses de maio e junho de 2015, consta a informação de que os "riscos identificados dizem respeito ao tráfego intenso, trabalho noturno, trabalho nas encostas e sinalização viária".

Questionada sobre o documento que menciona a "zona de respingos de maré" e que a "ciclovia não contempla riscos consideráveis", a Secretaria Municipal de Obras afirmou que a Prefeitura do Rio aguarda o laudo da Coppe/UFRJ e do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH), contratados para realizar perícia independente sobre os aspectos estruturais e as variáveis marítimas em toda Ciclovia da Niemeyer e investigar as causas do incidente da última quinta-feira.

"A estimativa é que o laudo conclusivo seja entregue em até 30 dias e não vamos comentar enquanto este laudo não for concluído. Os trabalhos já foram iniciados, e a Geo-Rio colocou todo material técnico do projeto executado à disposição", diz a nota emitida pelo órgão.

Consórcio pode ser considerado inidôneo
O contrato assinado entre a Prefeitura do Rio e o consórcio construtor Contemat-Concrejato prevê que o grupo possa ser multado em até 20% no valor total da obra, em caso de falha. Dos R$ 44 milhões investidos, cerca de R$ 9 milhões teriam que ser devolvidos aos cofres públicos. Além disso, o grupo seria declarado inidôneo e não poderia participar de novas licitações da administração pública carioca.

A Contemat é uma das sete empresas do grupo Concremat, fundado por Mauro Ribeiro Viegas, que é avô do secretário de Turismo do Rio, Antonio Pedro Figueira de Mello.

Em nota, o grupo empresarial nega que o parentesco tenha influenciado na escolha da empresa que construiu a ciclovia da Avenida Niemeyer.

O secretário, também em nota, disse que nunca trabalhou ou teve participação nos negócios da Concremat. "Tentar ligar meu nome aos negócios da empresa simplesmente em função do parentesco é infundado e leviano", declarou.

Fonte: G1
Foto: Divulgação
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