Notícia: 'Destruí a fechadura’: as decisões relâmpago que salvaram vidas em Orlando

'Destruí a fechadura’: as decisões relâmpago que salvaram vidas em Orlando



O ataque que deixou ao menos 50 mortos (incluindo o atirador) na boate Pulse, em Orlando, chocou o mundo, mas também despertou histórias de valentia e solidariedade de quem enfrentou aqueles minutos de tensão para salvar vidas.

Foi o caso de um segurança que trabalhava no local e que, assim que ouviu os primeiros tiros, tentou ajudar o máximo de pessoas que conseguisse.

A BBC ouviu alguns desses "heróis".

Imran Yousuf
Imran Yousuf tem 24 anos e trabalha como segurança na boate Pulse.

Ele serviu a Marinha dos Estados Unidos no Afeganistão. Mas, na noite do dia 11 de junho, Yousuf foi o responsável pela sobrevivência de dezenas de pessoas que conseguiram escapar do local com vida por causa dele.

"No início, foram três ou quatro tiros e houve um choque", descreveu ele.

"Todo mundo ficou paralisado. Eu estava lá atrás e comecei a ver as pessoas se empurrarem para o corredor, pareciam sardinha em lata."

Ele era uma das poucas pessoas na boate que sabiam que ali, na frente de toda aquela multidão, havia uma porta. Mas era preciso destravá-la.

"E eu gritava: abram a porta, abram a porta. Mas ninguém se mexia, porque eles estavam com medo", explicou.

"Havia apenas uma escolha. Ou a gente ficava ali e morreríamos todos. Então saltei sobre a fechadura até destrui-la e consegui tirar todos os que estavam ali".

Ele acredita que cerca de 60 ou 70 pessoas conseguiram sair por aquela porta.

Joshua McGill
Joshua McGill, um dos frequentadores do local, disse que estava se escondendo atrás de um carro em um estacionamento quando viu o bartender Rodney Sumter cambaleando por ali - ele sangrava muito.

Foi então que Mc Gill o puxou para trás do carro e usou sua camiseta para estancar o sangue das feridas no braço da vítima.

Mas o que ele poderia fazer para conter o sangue de um terceiro ferimento de bala na parte de trás?

"Eu apliquei toda a pressão que pude enquanto nós o levávamos ao policial mais próximo que estava ali", disse McGill.

Mas não havia ambulância disponível, e Mc Gill disse que os policiais o instruíram a deitar no carro com Sumter sobre ele para poder fazer pressão sobre as costas da vítima e estancar o sangue o máximo possível.

McGill obedeceu as instruções e apenas disse ao ferido: "Fique comigo. Você ficará bem. Eu te prometo que tudo vai ficar bem."

Sumter, que tem dois filhos, sobreviveu e está agora aguarda uma cirurgia no hospital em Orlando.

Christopher Hansen
Christopher Hansen estava curtindo sua primeira ida à Pulse quando ouviu os tiros.

Ele deixou no chão para escapar quando o ataque começou.

"Havia sangue, sangue por toda a parte", ele contou.

Hansen ajudou um homem que estava sangrando muito no chão. "Eu peguei minha bandana e amarrei bem forte na ferida aberta pela bala nas costas", disse.

Ele ainda ajudou a colocar o homem em uma maca antes de os médicos aparecerem para levá-lo.

"Eu peguei minha bandana e amarrei bem forte na ferida aberta pela bala nas costas", disse Hansen.

Hansen ainda ajudou uma mulher que havia levado um tiro no braço dizendo a ela: "Não vou te deixar até eles chegarem para tirar você daqui."

"Estou muito orgulhoso do meu filho. Como homem e como homem gay", disse o pai de Hansen no Facebook.

Edward Sotomayor Jr.
Conhecido como Eddie por amigos e pela família, Sotomayor, de 34 anos, estava na boate com seu namorado e levou um tiro nas costas quando estava empurrando o companheiro para fora pela saída de emergência.

Os amigos diziam que ele era bastante extrovertido e amigável.

Um amigo descreveu Eddie como "um dos melhores caras que já conheci. Ele sempre foi uma pessoa muito positiva, fazia qualquer coisa pelas pessoas que gostava."

Fonte: G1
Foto: Divulgação
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